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domingo, 17 de março de 2013

                     O silêncio tomou conta de mim, palavras fugiram; Só os pensamentos ferviam dentro do meu eu. A tristeza apoderou-se de todo meu corpo. Era nítido no meu semblante o abatimento. Toda preocupação que me invadia, dava lugar ao fim do medo. A certeza agora era outra: A mote bateu à minha porta. A ficha caiu!
                    A fortaleza de um homem, que nunca teve uma dor de cabeça e que raramente destilava uma lágrima ou sentia câimbra, que nunca sentiu uma dor de dente ou muscular; O rosto sempre sereno e às vezes seco, quase sempre feliz, sorridente... Toda essa fortaleza abriu espaço para depressão. Como se já estivesse preparado, sabia que tinha uma luta contra esse sentimento (depressão). Ficava falando pra mim mesmo... tinha consciência do problema. Se eu sabia, por que então ficar triste e deixar a depressão me dominar?
                   Dia 10 de fevereiro, foi o dia que a avalanche de tudo de ruim caiu sobre mim. Foi como se todas as dores que nunca senti e todas as lágrimas que nunca rolaram, resolveram caírem todas de uma única vez. Aos poucos os olhos iam lagrimejando, o soluço se apresentando e meu corpo se desmilinguido. Se o coração não parou no infarto deveria ter parado nesse momento; Porque a dor e a vontade de chorar foi tanta que não tive como segurar. Igual a um carro descendo ladeira à baixo sem freio, as lágrimas rolavam pelo rosto... Chorei!!!... Como chorei!!!
                    Eu acredito que o pior do homem, é saber da impotência do seu próprio ser. Cada vez que eu olhava no olho de minha amada, via em seu  rosto a vontade de chorar. Meu coração não aguentava, esta mesma vontade me invadia e chorávamos juntos. E agora o que vou fazer pra cuidar dela e dos meus filhos? E meu trabalho, como vou fazer? Eu deitado ali, tomando injeções e mais injeções segurando nas mãos da esposa, como precisei dessa força! Enquanto eu segurava em suas mãos mais a impotência e a tristeza se fincava dentro de mim. Ali, o único sentimento que eu conseguia discernir é que eu já não era nada. Foi nesse momento que descobri que "quando temos saúde, não temos problema nenhum, é dentro de um hospital é que descobrimos nossos verdadeiros problemas.
                    O cateterismo já havia sido feito e a notícia já estava dada; O que me alegrava era saber que receberia alta. Pois pobre como sou, a cirurgia não ia ser feita tão logo. Era preciso um encaminhamento para um outro hospital e  aguardar vaga para que o procedimento seja feito.
                    Sem motivo algum aparente, me apareceu uma chata dor de cabeça; Teimava em atormentar meu lado esquerdo. Vinha e ia. Sempre que me perguntavam sobre a dor, eu dizia que estava tudo bem. E como ela vinha e passava, eu respondia que a dor estava passando, o que não deixava de ser verdade. Mas ela estava ali, suave ou forte, rápida ou lenta. Eu me perguntava de onde essa dor veio, e porque ela tanto me atormentava. Quando me era oferecido remédio, pelos enfermeiros, eu dizia que estava melhor.
                    Após o cateterismo, a ansiedade era agora a consulta com o cardiologista, que ficou marcado para o dia 9 de fevereiro às 11h30mi. O problema nas veias era certo, existia, não tinha como eu tentar me iludir e achar que não havia nada sério comigo. A passagem com o cardiologista era apenas para confirmar, entre outras coisas,  a data da internação e cirurgia.
                         

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